terça-feira, 13 de setembro de 2011

As dificuldades do bebê prematuro



Para que seja prematuro, o bebê deve nascer com menos de 37 semanas de gestação e pesar menos de 2,5 quilos. Nos Estados Unidos, 7% a 8% dos bebês nascidos vivos são prematuros (Goldberg & DiVitto, 1983). Bebês prematuros têm alto risco de apresentar problemas comportamentais, cognitivos e de saúde durante os primeiros anos de vida (Goldberg & DiVitto, 1983; D. L. Holmes et al., 1984). Os pais são mais propensos a maltratar, negligenciar e abandonar bebês prematuros do que bebês nascidos no tempo usual (Lewis & Kreitzberg, 1979).

Embora algumas dificuldades dos prematuros possam resultar de complicações médicas, também forças mais sutis estão operando. Bebês prematuros tendem a ser considerados, estereotipadamente, menos espertos, menos atentos, mais quietos e mais lentos do que os bebês cuja a gestação foi completa, independentemente de seu comportamento afetivo (Stern & Hildebrandt, 1984). Pais que esperam tal comportamento podem tratar o bebê prematuro de variadas formas que estimulem essas qualidades negativas.

A falta de estimulação é outra possível fonte de problemas para o prematuro. Ao nascer, os prematuros perdem semanas de estimulação dentro do útero. Para piorar a situação, eles são postos em incubadoras. Embora o isolamento na incubadora preste-se a finalidades médicas úteis (controlar a temperatura, a umidade e o oxigênio e prevenir infecções), também priva a criança de estimulação. E o isolamento não pára na incubadora. Quando o bebê vai para a casa, os pais podem se sentir relutantes em interagir com o bebê "frágil".

A pesquisa conduzida pelas psicólogas Sandra Scarr-Salapatek e Margaret Williams (1973) dá respaldo à idéia de que a estimulação insuficiente é a causa de alguns dos futuros problemas do prematuro. Essas psicólogas estudaram 30 prematuros, da origem pobre, nascidos com pesos de 1,4 a 1,8 quilo. Alguns bebês receberam tratamento-padrão de incubadora. Os bebês do grupo experimental eram retirados das incubadoras para a alimentação, carinho, colo e conversas. Enquanto permaneciam nas incubadoras, recebiam estimulação visual extra de objetos e móbiles de pássaros. Assistentes sociais visitaram as famílias do grupo experiemntal até o primeiro aniversário dos bebês, fornecendo brinquedos estimulantes e sugestões de cuidados para com as crianças. Embora  no princípio estivessem ligeiramente atrasados em relação ao grupo de controle, compostos de prematuros criados da forma tradicional, os bebês que passaram pelo programa de estimulação logo se puseram à frente. Eles ganharam mais peso e tiveram pontuações mais altas nos testes comportamentais e neurológicos. Com 1 ano de idade, eles atingiram níveis quase normais de desenvolvimento, superando o desempenho de todos os grupos comparáveis até então testados pelo hospital. Resultados igualmente promissores foram obtidos por uma variedade de programas que enfatizam o acréscimo de estimulação sensorial (Beckwith & Cohen, 1984; D. L. Holmes et al., 1984).

Os prematuros enfrentam outro grande obstácu-lo, este de natureza principalmente social. Estudos de observação conduzidos por Susan Goldberg e Barbara DiVitto (1983) e outros (Lester et al., 1985; D. L. Holmes et al., 1984) sugerem que as interações entre pais e prematuros geralmente estão em descompasso. Logo no início da lactância, os pais de prematuros tocam, acariciam e conversam relativamente pouco com eles. Infelizmente, é justamente nessa época que a estimulação intensa parece ser importante. Os investigadores acham que, quanto mais socialmente responsivos forem os pais para com seus filhos prematuros durante seu primeiro mês de vida e dali para a frente, tanto mais propensos estarão esses bebês a exibir comportamento competente aos 2 anos de idade (Cohen & Beckwith, 1979). Próximo do fim do primeiro ano de vida, a conduta de pais e prematuros ainda tende a estar descompassada. Nessa época, os pais de prematuros tendem a despender esforço e tempo excessivos em interações com os bebês. Presumivelmente, os pais estão tentando compensar o que supostamente falta ao prematuro, isto é, uma criança propensa a ser menos atenta e responsiva do que a normal. Observações cuidadosas (Field, 1980) sugerem que o bebê sente-se contrariado com esses esforços intensos dos pais.

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